Um exemplo de persistência e superação!
Por Daniela Peregrino
Aulas, palestras, leituras, conversas na biblioteca, provas, monografia. Essa é a rotina de quem está na universidade. Entre os frequentadores do mundo acadêmico está Mariana Lins, 23 anos. A jovem poderia passar despercebida pelos corredores das Faculdades Integradas Barros Melo(AESO), onde cursa o último ano de Direito, não fossem suas limitações físicas: Mariana nasceu com meningomielocele, uma má formação na coluna que a deixou numa cadeira de rodas. “Nasci com a coluna aberta, os médicos diziam que eu não ia sobreviver. Nos primeiros 15 dias de vida fui submetida a uma cirurgia. Depois tive hidrocefalia, por isso, precisei colocar uma válvula ligada à bexiga para aspirar água da minha cabeça. Apesar dos riscos, sobrevivi”.
Superando todas as dificuldades e previsões médicas, ela seguiu em frente. Após acompanhamento escolar em casa, ingressou no colégio – aos seis anos de idade. Passou pelo jardim, alfabetização e ensino fundamental. Os primeiros anos na escola foram os mais difíceis, os colegas tinham receio em se aproximar por causa das deficiências físicas. A mãe, Ana Maria, foi fundamental no processo de adaptação. Desde os primeiros dias de vida ela acompanha todos os passos de Mariana. É uma rotina puxada: quatro vezes ao dia, a jovem precisa ter a bexiga esvaziada através de uma sonda. Sempre tem que ter alguém para trocar a roupa, dar banho e carregá-la no colo quando precisar sair – Mariana tem dificuldade de se locomover na cadeira de rodas, na sua residência há problemas de acessibilidade. “Minha família me ajuda muito, principalmente minha mãe, que é uma guerreira”, comenta com os olhos marejados.
Faculdade – Embora tivesse todos os motivos para fraquejar, ela não desistiu! Com garra, foi à luta. Passou no vestibular de Direito da AESO-Barros Melo. Este ano Mariana termina o curso. Planos para o futuro: fazer concurso para promotoria ou magistratura. “Não quero apenas ter um diploma e sim atuar na área. Sei que posso e quero”. Mariana é firme nos objetivos, não tem tempo para reclamar da vida.
A doença de Mariana, a meningomielocele, é uma malformação congênita do sistema nervoso central que se desenvolve no primeiro mês de gestação. Resulta de um defeito no fechamento da porção posterior do tubo neural - estrutura embrionária que dá origem ao cérebro e à medula espinhal - podendo levar a deficiências motoras nos seus mais variados graus, deformidades esqueléticas, incontinência vesical e intestinal, deficiências sensitivas abaixo do nível da lesão espinhal e disfunção sexual, dependendo da gravidade. A patologia é considerada uma das mais complexas.
Dados - De acordo com o Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), 14,5% da população brasileira, que equivale a 24,6 milhões de pessoas, é portadora de algum tipo de deficiência. A maior proporção se encontra no Nordeste (16,8%) e a menor, no Sudeste(13,1%). Das 9 milhões de pessoas com deficiência que trabalham, 5,6 milhões são homens e 3,5 milhões, mulheres. Mais da metade (4,9 milhões) ganha até dois salários mínimos. Os índices demonstram que o número de deficientes vem crescendo rapidamente. No censo anterior, em 1991, os deficientes representavam 2% da população.
Mulheres no mercado de trabalho
Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), em pesquisa que reflete o período 1990 a 2002, é crescente o número de mulheres que se destacam nas profissões. São preparadas, têm formação acadêmica e são detentoras de um patrimônio intelectual:
- Destacam-se não tão somente no magistério, enfermagem, assistência social, mas em áreas como medicina, psicologia, engenharia, arquitetura, econômica, jurídica, pesquisa científica, policial, finanças e negócios;
- Aprimoram-se na formação acadêmica;
- incremento na área jurídica. O caso da magistratura é exemplar, pois as juízas, que ocupavam 19% dos postos em 1990, chegaram a mais de 30% em 2002;
- São imbatíveis na área de serviços, saúde e bem estar social, humanidades, artes e educação, incluindo-se os serviços comunitários e sociais, serviços médicos, odontológicos e veterinários e o ensino;
- Chegam aos cargos em idade mais jovem que os homens: 62% das engenheiras, 47% das arquitetas, 49% das médicas, 65% das advogadas e mais da metade das procuradoras e das juízas têm menos de 39 anos;
- Outra diferença, que ocorre apenas na área de engenharia, é a maior importância do emprego no setor público (21% delas e apenas 10% deles);
- Em todas as carreiras, persiste o diferencial de salários entre os gêneros, exceção feita aos juízes, cujos rendimentos são bastante semelhantes. Ganham mais de 20 salários mínimos mensais: 38% dos engenheiros, mas 19% das engenheiras; 25% dos arquitetos e 20% das arquitetas; 11% dos médicos e 8% das médicas; 27% dos advogados e 24% das advogadas; 63% dos procuradores e 54% de suas colegas;
- Há a tendência histórica das mulheres atingirem posições mais elevadas na administração pública. A maioria, no entanto, encontrava-se em ministérios como os da Cultura, Educação, Saúde, Previdência e Assistência Social.
(Fonte: Folha de Pernambuco)
E Mariana está na matéria especial exibida na Rede Globo, Bom Dia Pernambuco, em 08 de março de 2010 confira aqui |